O balé como fuga às ruas no bairro degradado de Manguinhos

Daiana Ferreira de Oliveira tinha 6 ou 7 anos quando a mãe a levou pela primeira vez, junto com suas duas irmãs, da comunidade degradada e violenta onde viviam, na Zona Norte do Rio de Janeiro, até o grandioso Teatro Municipal, para assistirem a uma performance do famoso balé “O Lago dos Cisnes”

Sua mãe, Rosali Ferreira dos Santos, havia desenvolvido um fascínio por arte depois de ter ido com seus patrões para visitar galerias de arte e também assistir a peças de teatro.

Ela passou a encarar tais atividades, como as idas a concertos, à ópera ou ao teatro, como algo essencial para suas filhas, sempre que conseguia encontrar bilhetes grátis ou a preços muito reduzidos.

Agora com 29 anos, Daiana Ferreira de Oliveira recorda que sua mãe falava que precisavam ter cultura. Para ela não era questão de ser rico ou pobre.

Ela recorda também que não gostava de ópera, por serem, na sua opinião, apenas pessoas gritando umas com as outras, mas a paixão pela dança, mais especificamente o balé, foi imediata.

O bairro de Manguinhos, onde vivia, e ainda hoje vive, estava assolado pela pobreza, pela sujeira e pelo crime. Daina confessa que o balé, primeiro quando assistia e mais tarde quando dançava, representava para ela como que uma anestesia de toda aquela realidade.

Hoje em dia, Daiana fundou o Ballet de Manguinhos, começando para isso por forçar a abertura da biblioteca local que havia sendo encerrada, e utilizando o seu interior para estimular as crianças e jovens a ler, e complementando isso com aulas de balé.

Um de seus alunos, um jovem de 15 anos anteriormente muito problemático, conseguiu atingir um nível muito elevado no balé, vencendo vários concursos a nível estadual e até nacional.

O Ballet de Manguinhos, traz diariamente a esperança a muitas crianças do bairro, que encontram aí a mesma “anestesia” que Daiana tanto procurava para si.

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